sábado, 6 de agosto de 2011

MEU DIREITO TERMINA QUANDO O DO OUTRO COMEÇA

Muito se tem falado na democracia, liberdade de expressão, liberdade religiosa e direitos... Temas muito importantes para a construção de uma sociedade democrática e socialmente crítica. Entretanto, se tem discutido tais temas com uma visão equivocada, onde democracia é desconsiderar completamente os direitos das “minorias”; liberdade de expressão é insultar e/ou incentivar a agressão contra indivíduos não contemplados na democracia; liberdade religiosa é empurrar uma moral cristã e um Estado Laico, fazendo com que este Estado desconsidere os direitos civis de um cidadão somente pelo fato deste não seguir os preceitos religiosos, fazendo com que os direitos, por sua vez, só sejam permitidos a quem aceita tal moral.

Estamos vivendo um momento perigoso onde se tem uma visão equivocada da liberdade, esta deve ser bem entendida para não ser deturpada. A liberdade individual não pode tolher a liberdade coletiva. Bem como a minha liberdade de pensamento não pode tirar a liberdade do outro.

O fato de EU gostar de pessoas do sexo oposto não me dá o direito de agredir ou limitar os direitos das pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo. Abomina-se os homossexuais e tiram-lhe direitos civis garantidos pela Constituição por acreditar ser pecado tal “ato diabólico” de sentir AMOR por outra pessoa...

Nunca ouvi falar que um homossexual agrediu outra pessoa por ela ser heterossexual. Sob essa lógica, quem é o pecador? Quem MATA ou quem AMA? Quem TIRA direitos ou quem quer que eles sejam CUMPRIDOS?

Atualmente há um “surto homoafetivo” nas telenovelas, surto este que até poderia auxiliar em uma reeducação da sociedade para tais temas; entretanto, em um sistema onde a televisão é mais uma arma para alienar a população e fazê-la sua refém, não poderíamos esperar que ela atuasse de outra forma. Logo, assim como na vida real, os homossexuais das telenovelas são agredidos, tem sua liberdade limitada e os casais que com sua postura poderiam ajudar a quebrar tabus sobre a relação homoafetiva, tratam logo de ser assassinados. O curioso é que os personagens estereotipados, que retratam os gays de forma pejorativa e como os palhaços pertencentes ao núcleo cômico das novelas, permanecem nas tramas sem nenhum problema.

Como bem definiu o ator Edson Fieschi, “a televisão vive um momento em que pode tudo, mas não pode mostrar nada. Ela acompanha a sociedade, mas não avança os temas para além (da moral) dela”. E a Rede Globo, sinônimo de televisão, assassina homossexuais em suas telenovelas sob o pretexto de “tomar cuidado com cena de conotação sexual”... Mas, ao mesmo tempo, na mesma novela, deixa personagens que banalizam o sexo. Não é novidade nesta mesma emissora vermos casais transando, homens e mulheres seminuas e cenas picantes nunca foram cortadas em nome da moral e dos bons costumes, mas se o casal em questão for um homossexual, tira-se o velho testamento da gaveta e usa-se a palavra de Deus para matar pessoas até nas novelas! Agindo assim a emissora só contribui com a homofobia travestindo a “liberdade” com a forma mais perigosa de preconceito: o preconceito velado.

É preciso muita reflexão e reeducação de uma sociedade culturalmente machista e preconceituosa. E para isso, é preciso um Estado forte, que governe para tod@s, que respeite a diversidade cultural e que respeite, portanto, a laicisidade do Estado, para que este não favoreça nem A nem B, mas sim a sociedade; que forme gente de bem e capaz de entender que orientação sexual não interfere no caráter, que gostar de meninos ou meninas, verduras ou chocolates, legumes ou frutas, não diminui a capacidade de ninguém, nem o faz menos cidadão que o outro. Só assim, quebraremos esse tabu e enxergaremos a relação homoafetiva com os olhos do amor e não do preconceito, para assim enxergá-la com a mesma naturalidade que a relação heterossexual. E mais importante, é preciso que aprendamos que o MEU DIREITO TERMINA QUANDO O DO OUTRO COMEÇA!

Um comentário:

Gazeta do Bairro disse...

Esta vida é muito estranha. Ao escrever sobre liberdade, procurei informações sobre o tema e cai em seu comentário.
Nunca imaginei a presença de relações entre homens nas novelas da globo como uma provocação aos defensores de minorias.
Mesmo já tendo recebido amigos homossexuais em minha casa, a primeira vez que meus filhos viram cenas de contatos e convívio homossexual em meu lar foi pela Globo. O que me assustou, pois respeito o direito de pensar e ser de cada pessoa, mas na hora de agir, temos de saber como e onde.
A televisão fala e mostra muito homessexualismo como coisa de brincadeira e gozação, mas como coisa natural. Natural é homem e mulher convivendo para procriar. Da natureza também é homem convivendo como homem, mulher com mulher. Assim todos tem direito a ser e fazer o que for de sua vontade, desde que respeite os que o cercam...
Direitos vem depois dos deveres.